sábado, 21 de junho de 2014



Bem, eu estive pensando bastante em nós dois. Lembrei-me daquele dia que fomos ao cinema e você derrubou toda a pipoca em cima do meu vestido branco e eu tive que tomar quatro banhos para conseguir tirar todo o sal que ficou em meu corpo – recordei até de você me ajudando com o banho, sentando atrás de mim no chão do box e massageando minhas costas com o sabonete nas mãos. E depois de ficar a noite inteira acordada, relembrando tantos momentos daquela nossa relação de quatorze meses, decidi: eu me quero de volta.
Hoje, quando eu espero um telefonema qualquer, você some em Taiwan. Quando eu me acostumo com a saudade, você me invade o quarto e o peito. Quando eu esqueço o teu cheiro, você se perfuma em meus lençóis. Quando eu quero companhia pra dormir, você acorda antes da hora. Quando eu te peço pra ir embora, você diz que tem medo do escuro. Quando eu apago as luzes, você acende os olhos. É um cão-e-gato eterno, saindo pelas beiradas. Brinco de equilibrista em tua rede e você nem se preocupa. Te prometi ir até o fim do mundo e agora me quero de volta.
Eu quero novamente ser aquela menina independente, risonha e porra louca que fazia o que queria quando dava na telha, sem me preocupar com o que iriam achar. Quero voltar a ser a tal mulher que saía para tantos e tantos lugares – festas, museus, cinemas ou coisa assim – sem sentir falta de uma companhia que me sujasse de pipoca ou que segurasse a minha mão quando a mocinha beijava o rapaz bonito no final.
Eu me quero de volta. Quero minhas noites tranquilas sem procurar feito uma louca outro par de pernas ao lado. Quero poder me atrasar e não ter ninguém me ligando de cinco em cinco minutos para me apressar e para reforçar de que eu estou-realmente-muito-atrasada. Quero poder mentir para alguém sem sentir a menor culpa por isso. Eu me quero de volta.
Sinto saudades de mim.
Hugo Rodrigues
"Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. O romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando, porque embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu."
Luis Fernando Veríssimo
 Linda noite de sábado lindos...
 
 
São os horários que não batem, a rotina que nunca combina. É falta de tempo, de jeito, de vontade. É sorriso que esconde a mágoa que ficou. É abraço frouxo que não faz laços de amor por medo de tropeçar e ver o castelo de sonhos desabarem. É olhar desviado para não admitir que tem saudade. São silêncios gritantes de amores recolhidos e palavras bonitas que precisam ser ditas. São sonhos escondidos para não parecer insano. São vontades caladas para não ser atrevido demais. São histórias prolongadas pelo medo de sentir. São verdades que escorrem pelo tempo pela pressa, pela necessidade de rotular. São desencontros que desenhamos sozinhos pela vida a fora por pura teimosia. Medo de ser feliz.

[Marcely Pieroni Gastaldi]

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Boa noite lindos e lindas


 Boa noite amigos... uma noite tranquila pra todos...




"Ele não sabe mais nada sobre mim. Não sabe que o aperto no meu peito diminuiu, que meu cabelo cresceu, que os meus olhos estão menos melancólicos, mas que tenho estado quieta, calada, concentrada numa vida prática e sem aquela necessidade toda de ser amada. Ele não sabe quantos livros pude ler em algumas semanas. Não sabe quais são meus novos assuntos nem os filmes favoritos. Ele não sabe que a cada dia eu penso menos nele, mas que conservo alguma curiosidade em saber se o seu coração está mais tranquilo, se seu cabelo mudou, se o seu olhar continua inquieto. Ele nem imagina quanta coisa pude planejar durante esses dias todos e como me isolei pra tentar organizar todos os meus projetos. Ele não sabe quantos amigos desapareceram desde que me desvencilhei da minha vida social intensa. Que tenho sentido mais sono e ainda assim, dormido pouco. Que tenho escrito mais no meu caderno de sonhos. Que aqui faz tanto frio, ele não sabe por mim. Ele não sabe que eu nunca mais me atentei pra saudade. Que simplesmente deixei de pensar em tudo que me parecia instável. Que aprendi a não sobrecarregar meu coração, este órgão tão nobre. Ele não sabe que eu entendi que se eu resolver a minha dor, ainda assim, poderei criar através da dor alheia sem precisar sofrer junto pra conceber um poema de cura. Hoje foi um dia em que percebi quanta coisa em mim mudou e ele não sabe sobre nada disso. Ele não sabe que tenho estado tão só sem a devastadora sensação de me sentir sozinha. Ele não sabe que desde que não compartilhamos mais nada sobre nós, eu tive que me tornar minha melhor companhia: ele nem imagina que foi ele quem me ensinou esta alegria."

Marla de Queiroz

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Reflexão...
Encerrando Ciclos
Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos - não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.
Foi despedido do trabalho? Terminou uma relação?
Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país?
A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?
Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu. Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seu marido ou sua esposa, seus amigos, seus filhos, sua irmã, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.
Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco. O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.
As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora. Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem. Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração - e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.
Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.
Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos. Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.
Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do “momento ideal”. Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará.
Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante. Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é.
(Nota:o texto Encerrando Ciclos não é de Fernando Pessoa ou de Paulo Coelho),é de:
Gloria Hurtado



Linda tarde meus amores....
Marcia Rocha